domingo, 18 de julho de 2010

Cochilando...

Um cochilo de inverno
faz-me debruçar
em tempos
quase esquecidos
ora a me rondar.
Só o tempo não volta
o que esteve a sua volta
sempre será lembrança.

Éramos amantes
trocávamos textos de amor.
Éramos cúmplices
de cada flor
rosas faziam meu olhar sorrir
e o teu coração palpitar
inocentes, contentes, felizes.

Bilhetes não os tenho.
Guardei só o que não se guarda mais:
a paixão!

Gestos, ansiedade, vaidade.
E a idade esquecida
deu lugar a saudade vencida.
Estamos por perto
porque o mundo é pequeno
e tem portas abertas...

Sempre o amor...

Num fim de tarde
viajando em sonho acordada
tropeço engasgada
no calendário avançado...

Lá da infância
aconchego tantas imagens
nítidas, ainda, sim
uma a uma preto e branco
imersas em incontáveis alegrias
festa junina, carnaval,
dia da criança
páscoa, natal...

De repente
é a vez do retrato colorido
também antigo
nítido
traz ao pé do ouvido
o amor em tantas letras
a paixão em tantas músicas
o infinito nas canções cantadas pelos quarteirões...

E, nas madrugadas,
já naquela época
de bruços na cama
o português e a redação
misturavam-se em diversão
construindo poucos poemas
e muitos versos de paixão.

Com o relógio nas mãos
depois das pilhas trocadas
certifiquei-me: o tempo jamais parara...

As aulas com notas acabaram, é verdade.
Agora, a vida é prova todo dia
com direito a reavaliação
antes, chamada recuperação.

Professor nesta fase
se chama “dor”.
Vem e vai,
vai e volta
sem demora
mostra faces, demonstra monstros
desvenda, desperta, cura.

A idade tem o dom
da literatura nua, pura
que refaz conceitos
reconhece defeitos
aceita revisão de textos
colhe no coração preceitos
adapta conselhos
vê a imagem exata
que o espelho retrata.

Quem sou eu?
Sou a poesia.
Quem é mestre nesta etapa?
A serenidade.
Melhor amigo?
Deus.
Melhor amiga?
A paz.
Uma recordação?
O amor que jamais abandonou meu coração.

Quando a poesia
não guia a vida
é porque a vida
está inspirando a poesia...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Palavra viva em mim...


Deixa a chuva molhar.
Deixa a chuva lavar
estradas onde não voltarei a andar.
Passos enganados...

Cansei. Minha alma perdoei.
Recriei-me.

Vencer, antes de envelhecer...
Eis o que eu quero ver
a chuva molhar meu jardim,
verde vida
sem fim...
Grama, que no verão é cama.
Flores,
a decorar
cada gota de orvalho
em noites de insônia.
Cores,
suaves, fortes, definidas
meu desejo
é mergulhar no papel com lápis pra sempre,
e simplesmente,
pensar no silêncio do tempo.

Amar as vogais
unir consoantes
cortejar as sílabas
e na minha essência
ser constante
sem ser viajante
sendo apenas,
verbos conjugados:

no passado
foram rara linguagem;
no presente
são a dança da palavra
que em mim é vida
e viva sempre será.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Tempo...


Quem é esse rapaz chamado tempo?

Sem convite,
me encanta,
traz prantos,
me faz gargalhar,
me faz confiar
sem crer.
Vem
vai
de repente
acaba sem terminar.
Termina sem me avisar.
Tempo... eterno na poesia sempre viva.

sábado, 8 de maio de 2010

Mãe, desenho de um coração que nunca termina...


Mãe
que no ventre reserva
a expectativa de uma vida.

Mulher
que nos olhos sonha
abraçar um filho
beijar uma filha.

É a alma fêmea
que nasce para doar amor
vive para adotar afetos.
Lembro-me de tantos nascimentos
cada qual sem igual
na emoção imponente
doce
persistente
autêntica
fiel
gigante
sensível
única.
Logo depois
corações acalmados no colo perfumado
com cheiro de amor
temperatura de proteção
ternura na canção
que sonolenta fez repousar tantas cólicas
tantos medos.
Nossas vidas crescem.
Nossos corações escancarados
estão entrelaçados pra sempre.
E o tempo tem passos
e as lições, diariamente, desafiam o saber:
ensinar que a coragem vence o medo;
que a dignidade tem que ser maior, não importa a idade;
que a fraternidade é só o que Jesus nos pede;
que Deus está presente no inverno, e também no breo;
que sorrir é remédio gratuito e imuniza qualquer mal;
que abraçar é a assinatura mais completa;
que beleza na aparência é privilégio,
na alma é benção brilhante;
que perder é aprender;
que aprender é errar;
que errar é o caminho da verdade
e a verdade é a essência da vida.
E pensando nas crianças
lembro dos adultos
e não sei se defino
ou só resumo: viver amando é simplesmente fasciante!
Vale cada instante...
E de herança,
o maior tesouro: gratidão.

Aplausos, música e muita folia!
Amém!!
Parabéns Mães, Madrinhas, Avós, Tias, colos SEMPRE cheios de carinho...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sou...


Suave Sensação

Serenidade.

Surpresa saudável

Superação.

Singular Segurança

Sensibilidade.

Saber sorrir significa simplesmente, Ser!


domingo, 11 de abril de 2010

Vida com S de SAUDADE....


Palavras, sublime desabafo.
Ditadas pelo coração e diluídas no olhar quieto....
Quem lê essas gotas de sentimentos aconchega na alma o dicionário do amor.
Páginas... nem todas escrevi.
Muitas li, re-li e a memória trai o tempo,
porém, mantém a íntegra da vida.
Lembro das páginas amareladas
a cor é tempo, um colorido do ontem
passado
conjunto de gargalhadas.
Procurei a página em branco
teve rascunho, teve borracha, mas vazio não existiu.
Tem página cinza, chuva que estragou tantos domingos...
Tem sábado com som de grama molhada
piscina gelada,
logo esquentada de tanto que a gente pulava.
Tem página de churrasco,
Tem página cor de vinho, vinho que nunca faltou... Vinho na “bota”!
Tem página com lata de Nescau, um segredo só nosso.
Sopa de feijão, grão de bico, e tantas “manzanas”...
Nas dezenas e dezenas de páginas do corredor da rua Lituânia
tem bom humor sempre carregando um “saco de pães quentinhos”...
no almoço, no jantar.
Nascemos com um dia de diferença
vivemos 42 anos trocando sentimentos
aprendemos, erramos, somamos, dividimos, rimos...
muitas e muitas foram as alegrias em comum...
hoje, infelizmente, a página traz tristeza em comum
perdemos os nossos “Zé´s”
dois pais palhaços
dois pais “importados”
dois pais chamados José,
dois pais exemplos,
dois imigrantes vencedores.
Duas saudades assinam esta página
as anteriores
e todas que virão!
Junho de 2009 e Abril de 2010,
tudo passa... então, quando a tristeza dói
a lembrança das alegrias chega e revive a Grande História!
Sei que assinamos juntas a eterna gratidão aos nossos pais!
Enquanto existirem as lembranças
nós resistiremos ao vazio que ainda vigora.
Instantes de olhares perdidos virão...
O tempo é agora
um sorriso no coração
e uma lágrima que cai
solidariamente em união!

Homenagem a Carmen, amiga de berçário, hoje amiga na saudade dos nossos pais!
Laura, Raquel, Nunuca.
Adriana, Pedro e  Mário.
Pepe, uma vida de alegria inesgotável que permanecerá...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Alma calma...




Minha alma é leve...
Leva-me
sou
vou
vôo
banha-me
desfaz a exaustão
renova-me em instantes ...

Corro ao coração
juntos
em coro
somos tesouro:
gargalhadas aqui e acolá.

Minha alma canta esperança.
Minha alma lê minhas entrelinhas
sorri pra mim
sorriso é meu endereço
endereço transparente
adereço com aroma de sol
cheiro de VIDA livre
vento lento
traz liberdade que me abraça
num gesto de alma terna
e
intensa .

Balançam as lavandas no meu jardim
e a paz perfumada embala meu infinito ...

leia <>

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulheres!

Mulheres...

Consagração.
Ilusão.
Só coração.

Turbilhão.
Sofreguidão.
Compreensão.
Dedicação.

Perdão.
Canção.
Animação.
Intuição.

Iluminação.
Oração.
Benção.
Razão.

União. Mãos em eterna integração ...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

EU SOU EU.


No tom da folia
vai e vem de pensamentos...

Máscaras caem
longe do privilégio do carnaval
são faces frágeis
quebráveis
fiéis aos olhos da ilusão,
mera auto ficção.

Quem é você?

Um espelho desconhecido?
Uma imagem sem rumo?

Vida mascarada
é coração sem alma
espírito sem luz
corpo sem caminho
personalidade perdida
liberdade frustrada.
Fim sem meio.

Liberdade é ser cara limpa.
Meu rosto sou eu,
nada mais,
nada além,
sinceridade singular.
Eu sou EU.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Amanhecer


Toda porta que abre
fecha.
Nem toda porta que fecha
volta a abrir ...
Chaves
desaparecem no oceano da razão
no amanhecer da alma
que canta a paz
ao som dos violinos da liberdade
e sabedoria.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ser!!



Nascer

depois
fazer-se eterna semente
do bem
freqüente
presente
eloqüente.

Ser primavera no verão.
No verão ser puro coração.
No inverno ser terno, aconchegante.
No outono renascer prudente
decente
docente em literatura d´alma.

Alma
semente da vida,
plena. Eterna.

Ser em mente sempre semente!

Florescer em vida todo dia mais....
Sem mas
nem poréns
Ser essência, presença sem fim. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Sinceramente...


desconheço o perdão
compreendo a pretensão que o antecipa
o desamor.
Perdão e amor não se misturam.
Jamais.
Se o amor é presente
perdão será ausente
ou

ausência.

domingo, 22 de novembro de 2009

Simplicidade


Morango

por si só sacia
aroma doce
tem na cor
beleza bucólica
no seu contorno
é desenho
puro coração
tem som
vermelho alegria.

Morango com leite
refresca os pensamentos.

Morango com calda de chocolate quente
escorrega paz nas curvas da mente.

Morango com suspiro
faz a alma levitar.

Morango com creme de leite
é a infância brincando com o paladar.

Risoto de morango
tem glamour
é amor temperado.

Pizza de morango com brigadeiro
é brincadeira de adulto
com direito a pedaço duplo.


E aquele morango travesso
que escorrega e cai no chão
depois do assopro que vem do coração
é a simplicidade
que devora o ar.

Morango é quase gente.
Morango tem vida.

E a vida
se a gente quiser
pode ser:

Pura – perfeita-.
Clássica - cheia de sabores -.
Eterna - repleta de lembranças-.
Viva – coberta de coragem -.
Inesquecível – recheada de amor sem vergonha -.
Limpa – leve como é a paz-.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

17 de novembro!


Gota d´água

flor em pétala
página viva
no infinito
começar de novo.

Respinga
o frescor da chuva. Acabou.
Nasce o sol.
Brilha a Lua
Nova.
Novo dia.
Nova vida.
Nova história.

Sem personagens.
Sem palco.
Sem plurais.
Sem altar.
Paz.

Não há mais rascunhos.
Nem existem mais rabiscos.

Só o som da luz  em essência

amor.

sábado, 24 de outubro de 2009

Bordando a paz em branco...


Ponto preto pronto perturbou por perto.
Passado pontuado.
Discurso deserto defende decurso diferente.
Presente plácido.
Liberdade libera linda luz.
Futuro filtrado.
Desponta desperta
vem vida viva vitoriosa voz veloz.
Bordando branco brando brincando brindo

BEM VINDA PAZ!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Braços na chuva.



Braços sem abraços
são berços vazios.
A lua é cheia
o sono em paz
a faz imcapaz
invisível.
Perdida
dá lugar ao sol
que dá lugar a chuva
que faz da primavera
inverno desajeitado.
rejeitado...
Entre pingos
e respingos
cantar na chuva
volta a moda.
Moda em estação viver!


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

GENTE.




Tem gente que fala
gente que sente
tem gente que no silêncio,
é mais transparente.

Tem tanta gente indiferente...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Espelho



A moldura branca
craquelada pelos anos
de beleza encantadora
sem pressa
sustentou o brilho do espelho principal.
A poucos instantes
incessantemente
a transparência cristal
buscou meu olhar
antes rápido, maduro, seguro
hoje lento, atento, distante.
E o verde antes gritante
atraente e forte
está especialmente silencioso
dois olhos e nada mais
superando seus pequenos espaços individuais
contornando um piscar triste
permitindo sem resistência
o rolar de um conjugado de lágrimas
rápidas
insistentes
aparentes
íntegras
frágeis
transparentes... Atormentadas.
Tão grandes
tão pequenas...
Intensa 
é a lembrança
de rumo incerto
do tempo tosco
em tormenta tonta
no desamparo calado.
Em sentimento
o tempo da lágrima
é sempre rápido
flácido
plácido
cálido.
Lágrima
pingo de esperança
que se perde no chão
escorrega
despenca
na folha do papel em branco
no envelope amarelado
no tempo terminado.
Lágrima
assinatura da saudade.
No espelho
estão lá convexos
muito mais do que dois olhos “verdes-mel”
insiste o reflexo do avesso
travesso de tantos tropeços
páginas sem medos.
Mundo mutante,
singular
hoje, vazio.
Lágrima
veloz
é a voz do coração lento
dormente
triste
ausente.

Lágrima:
início de um espetáculo
fim de uma história....

Lágrima, sinônimo de aplauso com som do silêncio...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Minhas Crianças... Minha VIDA.



Meus meninos
minhas meninas.
Vidas que me renovam
Vidas que salvam
a esperança escondida
quase perdida...
Vidas tagarelas,
sem “pause”, sem “stop”...
Sorrisos que emocionam
as lágrimas que fatiam o coração
dividido entre o dever da educação
e o desenfreado afeto sem medo...
Gargalhadas
TANTAS
TODAS
AS MAIS VARIADAS
GOSTOSAS
AVELUDADAS
que num passe de mágica
transformam o som do coração
em banda escandalosa
que canta em último volume
a tal FELICIDADE
e encanta o olhar da alma, a eternidade!
Minhas crianças,
literalmente
minha VIDA.
Longe ou perto
SEMPRE dentro do meu coração!

Com amor...