segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Coleção de pétalas...

Meu coração dói
dor corporal
forte.
Também arde.
Incomoda.
Quase assusta.
E de repente
o que vejo no filme
que assisto
nos meus olhos
cansados
são as flores que colhi
e as outras milhares
que no decorrer das datas

especiais
sem pensar no jardim

interrompi o ciclo natural.
Quantas pétalas
sem perceber
deixei cair.
Muitas recolhi.
Tantas guardei.
Outras perdi
sem sentir...
Pétalas.
Sementes floridas.
Que me fizeram rir.
E nesta noite
como natureza
seca e
pálida
me deixo chorar...
Fecho a janela.
Fecho o olhar.
Fecho este dia.

Amanhã quero sorrir.

 Milton Nascimento - Caçador de Mim

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Azeite no tempo lento.

Escorrega o tempo
através das mãos
e por entre os dedos
tantos espaços
vãos
vagos...

Desafio
transformando
em desencanto.

Lucidez
rara
transparente
tal qual azeite...
Nem tão puro.
Bem menos extra.
Com gosto escorregadio
tardio demais.

Perder.
Voar.
Deixar ir.
Azeitar.
Lamentar.

Dias sem sabor.
Noites sem memória.
Tempo sem tempero.
Eis que a vida
desliza
com vagar
exageradamente
sem noção.
Cegamente.

Recordação
sem audição.
Mente quase demente.

Sonolento pensamento
sem coração
sem cooperação.

Sem gente humana.
Humano descrente.
Sentimento sem talento.
Instante desumano.

Azeite no pão.
Prato vazio.
Sem sal.
Sem pimenta.

Indigestão.

O azeite passeia na colher.
A vida vagueia sem olhar.
A omissão assa a razão.
Triste é
e pode ser
uma confissão.

 Celine Dion - I Will Always Love You (Piano Instrumental)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Cego é o olhar vazio.



A poesia é mansa
A fala cansa
Mas, a fonte canta
A mente repousa
sem escolha
impõe-se o vazio
cheio de certeza:

“O cego pode enxergar”.

“O orgulho cega o ar”.

E, ambos morrerão.

Sem ver,
o primeiro terá conhecido a vida,
o segundo,
apenas tropeçado
nas suas próprias feridas.

E o olhar
vazio
ensinou
que há palavra vaga
quando vago é o olhar
por toda vida...


Caetano Veloso - Eu so Vou Gostar de Quem Gosta de Mim


quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Nem subir. Nem descer. O tempo acabou.

Sinto-me vazia.
Meu eu divaga
sem rumo
sem prumo
sem força.

Não há mais degrau.
Nem pensamentos.

Carrego a alma
estagnada
estarrecida
impactada.

Minha memória
foi corrompida.

Minha vida
interrompida.

O olhar

absorveu
a última imagem
puro gelo
desumano.
Sentimento ausente.

Hoje o dia amanheceu
sem hora
sem tempo
sem marcos
nem fatos
nem fotos.

Erro.
Ilusão cega.
Desilusão atemporal.
Pesadelo real.

Secou a sensibilidade.
Quebrou a raiz.
Morreram as sementes.
O todo e tudo hoje é nada.


Subimos tantos degraus
chegamos
ao abismo.
Caímos.


Olhar para trás
agora
jamais.
Não há nada.


  Whitney Houston - - I Have Nothing