segunda-feira, 19 de julho de 2010

...no colo, vida


Reservo-me em vontades.
Esqueci o sono
então brinco de simplificar a vida
de te carregar no colo
de te olhar nos olhos
de te fazer sorrir.
Chega de tempo marcado
serei apenas tempo livre.
Recolho-me em orações
encantando-me
neste rumo de emoções intensas.
Serei degrau
sem que você note.
Serei a primavera
em pleno inverno.
Serei verdade vestida de caridade,
serei cumplicidade no primeiro passo
e ternura no primeiro sono.
Serei uma só palavra: comunhão.
Serei o desenho colorido.
Serei mãos divertidas.
Serei braços estendidos.
Serei quase tudo, quase sempre...
Aprendendo a esperar
sou amor
no colo, vida.

domingo, 18 de julho de 2010

Cochilando...

Um cochilo de inverno
faz-me debruçar
em tempos
quase esquecidos
ora a me rondar.
Só o tempo não volta
o que esteve a sua volta
sempre será lembrança.

Éramos amantes
trocávamos textos de amor.
Éramos cúmplices
de cada flor
rosas faziam meu olhar sorrir
e o teu coração palpitar
inocentes, contentes, felizes.

Bilhetes não os tenho.
Guardei só o que não se guarda mais:
a paixão!

Gestos, ansiedade, vaidade.
E a idade esquecida
deu lugar a saudade vencida.
Estamos por perto
porque o mundo é pequeno
e tem portas abertas...

Sempre o amor...

Num fim de tarde
viajando em sonho acordada
tropeço engasgada
no calendário avançado...

Lá da infância
aconchego tantas imagens
nítidas, ainda, sim
uma a uma preto e branco
imersas em incontáveis alegrias
festa junina, carnaval,
dia da criança
páscoa, natal...

De repente
é a vez do retrato colorido
também antigo
nítido
traz ao pé do ouvido
o amor em tantas letras
a paixão em tantas músicas
o infinito nas canções cantadas pelos quarteirões...

E, nas madrugadas,
já naquela época
de bruços na cama
o português e a redação
misturavam-se em diversão
construindo poucos poemas
e muitos versos de paixão.

Com o relógio nas mãos
depois das pilhas trocadas
certifiquei-me: o tempo jamais parara...

As aulas com notas acabaram, é verdade.
Agora, a vida é prova todo dia
com direito a reavaliação
antes, chamada recuperação.

Professor nesta fase
se chama “dor”.
Vem e vai,
vai e volta
sem demora
mostra faces, demonstra monstros
desvenda, desperta, cura.

A idade tem o dom
da literatura nua, pura
que refaz conceitos
reconhece defeitos
aceita revisão de textos
colhe no coração preceitos
adapta conselhos
vê a imagem exata
que o espelho retrata.

Quem sou eu?
Sou a poesia.
Quem é mestre nesta etapa?
A serenidade.
Melhor amigo?
Deus.
Melhor amiga?
A paz.
Uma recordação?
O amor que jamais abandonou meu coração.

Quando a poesia
não guia a vida
é porque a vida
está inspirando a poesia...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Palavra viva em mim...


Deixa a chuva molhar.
Deixa a chuva lavar
estradas onde não voltarei a andar.
Passos enganados...

Cansei. Minha alma perdoei.
Recriei-me.

Vencer, antes de envelhecer...
Eis o que eu quero ver
a chuva molhar meu jardim,
verde vida
sem fim...
Grama, que no verão é cama.
Flores,
a decorar
cada gota de orvalho
em noites de insônia.
Cores,
suaves, fortes, definidas
meu desejo
é mergulhar no papel com lápis pra sempre,
e simplesmente,
pensar no silêncio do tempo.

Amar as vogais
unir consoantes
cortejar as sílabas
e na minha essência
ser constante
sem ser viajante
sendo apenas,
verbos conjugados:

no passado
foram rara linguagem;
no presente
são a dança da palavra
que em mim é vida
e viva sempre será.