viajando em sonho acordada
tropeço engasgada
no calendário avançado...
Lá da infância
aconchego tantas imagens
nítidas, ainda, sim
uma a uma preto e branco
imersas em incontáveis alegrias
festa junina, carnaval,
dia da criança
páscoa, natal...
De repente
é a vez do retrato colorido
também antigo
nítido
traz ao pé do ouvido
o amor em tantas letras
a paixão em tantas músicas
o infinito nas canções cantadas pelos quarteirões...
E, nas madrugadas,
já naquela época
de bruços na cama
o português e a redação
misturavam-se em diversão
construindo poucos poemas
e muitos versos de paixão.
Com o relógio nas mãos
depois das pilhas trocadas
certifiquei-me: o tempo jamais parara...
As aulas com notas acabaram, é verdade.
Agora, a vida é prova todo dia
com direito a reavaliação
antes, chamada recuperação.
Professor nesta fase
se chama “dor”.
Vem e vai,
vai e volta
sem demora
mostra faces, demonstra monstros
desvenda, desperta, cura.
A idade tem o dom
da literatura nua, pura
que refaz conceitos
reconhece defeitos
aceita revisão de textos
colhe no coração preceitos
adapta conselhos
vê a imagem exata
que o espelho retrata.
Quem sou eu?
Sou a poesia.
Quem é mestre nesta etapa?
A serenidade.
Melhor amigo?
Deus.
Melhor amiga?
A paz.
Uma recordação?
O amor que jamais abandonou meu coração.
Quando a poesia
não guia a vida
é porque a vida
está inspirando a poesia...
Um comentário:
Ana, há mais de ano (desculpe on trocadilho) aguardo suas gotas de cultura em gotas poéticas.
Eis que hoje, deparo com um riacho de letras puras em teus versos de retorno.
Matei a sede e espero mais.
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