A moldura branca
craquelada pelos anos
de beleza encantadora
sem pressa
sustentou o brilho do espelho principal.
A poucos instantes
incessantemente
a transparência cristal
buscou meu olhar
antes rápido, maduro, seguro
hoje lento, atento, distante.
E o verde antes gritante
atraente e forte
está especialmente silencioso
dois olhos e nada mais
superando seus pequenos espaços individuais
contornando um piscar triste
permitindo sem resistência
o rolar de um conjugado de lágrimas
rápidas
insistentes
aparentes
íntegras
frágeis
transparentes... Atormentadas.
Tão grandes
tão pequenas...
Intensa
é a lembrança
de rumo incerto
do tempo tosco
em tormenta tonta
no desamparo calado.
Em sentimento
o tempo da lágrima
é sempre rápido
flácido
plácido
cálido.
Lágrima
pingo de esperança
que se perde no chão
escorrega
despenca
na folha do papel em branco
no envelope amarelado
no tempo terminado.
Lágrima
assinatura da saudade.
No espelho
estão lá convexos
muito mais do que dois olhos “verdes-mel”
insiste o reflexo do avesso
travesso de tantos tropeços
páginas sem medos.
Mundo mutante,
singular
hoje, vazio.
Lágrima
veloz
é a voz do coração lento
dormente
triste
ausente.
Lágrima:
início de um espetáculo
fim de uma história....
Lágrima, sinônimo de aplauso com som do silêncio...